DOCENTE UNIFIO RELATA EXPERIÊNCIAS SOBRE O USO DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS E METODOLOGIAS ATIVAS NAS ENGENHARIAS

A forma de ensinar e as práticas em sala de aula vêm se transformando nos últimos tempos, devido à necessidade de formar profissionais, das mais diversas áreas, com competências e habilidades para atuar em um mercado de trabalho que se renova a cada dia. Nesta era tecnológica, muitos profissionais, já inseridos no mercado de trabalho, estão se reinventando para atender às necessidades dos seus clientes e, colocando no mercado matérias-primas e produtos personalizados, cada vez mais adequados aos gostos, necessidades e desejos de um público alvo bastante exigente. Nesse contexto, a formação de futuros profissionais deve ser discutida com base em novas formas de ensinar, aprender e gerar competências necessárias aos profissionais que deverão inserir-se no mercado de trabalho nos próximos anos.

Em termos de tecnologias e inovações, as áreas das engenharias constitui uma das que mais apresenta resultados, integrando ciência e tecnologia e lançando no mercado produtos e projetos a partir de materiais avançados, inteligentes, nanotecnológicos e com um desempenho muito superior a tudo o que já existe. Para lidar com esta nova realidade, o profissional engenheiro da atualidade precisa tornar constante e contínuo seu processo de aprendizagem, renovando conceitos, aprendendo a lidar com toda a tecnologia disponível e sendo capaz de alimentar o mercado com produtos cada vez mais inovadores e que satisfaçam, em todos os aspectos, as necessidades do seu cliente.

Em termos de educação, a sala de aula tradicional finalmente começa a perder espaço para práticas educacionais que buscam valorizar o processo de aprendizagem do aluno, onde ele próprio deve ser ativo neste processo, construindo seu próprio conhecimento, integrando saberes e aprendendo à sua forma e no seu tempo. Esta forma de ensino valoriza grandemente o uso de novas tecnologias e são muito atrativas aos olhos dos alunos, tornando-os mais motivados a aprender.

Os cursos das engenharias do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – UNIFIO tem seu Plano Pedagógico Curricular (PPC) pautado no ensino e aprendizagem do aluno egresso com base em novas tecnologias e Metodologias Ativas, pois, entende a necessidade de formar um profissional extremamente capacitado, globalizado e com competências inovadoras. Conforme já é bem descrito na literatura, novas metodologias tais como a sala de aula invertida, “Blended Learning”, “Peer Instruction”, rotação por estações e também ferramentas de ensino tais como o “Nearpod” e o “Kahoot”, têm mostrado resultados promissores, engajando os alunos em todas as etapas do seu aprendizado, tornando as aulas mais dinâmicas, mais interessantes e produtivas e contribuindo para formar um profissional com as características e o perfil que o mercado de trabalho exige.

Falando mais especificamente da formação básica dos cursos de engenharia, as aulas de Física básica e Matemática básica são fundamentais na construção do raciocínio lógico e formação do profissional engenheiro, uma vez que tais disciplinas dão o suporte para o desenvolvimento do aluno nas disciplinas específicas de cada engenharia. Nesse sentido, a formação básica do futuro engenheiro precisa ser sólida e apresentar os elementos necessários capazes de formar bem um profissional com o perfil do engenheiro da atualidade.

O uso de novas tecnologias e Metodologias Ativas nas aulas de Física Básica dos cursos das engenharias do UNIFIO já é uma prática constante que começou de forma tímida, quando tais ideias inovadoras para a educação ainda estavam se estabelecendo, e hoje já é uma prática contínua e bem estabelecida, dando resultados surpreendentes, principalmente tendo em vista a dificuldade apresentada pelos alunos no aprendizado de Física.  Vale salientar que o UNIFIO conta com toda uma estrutura de salas de aulas e laboratórios que viabilizam o uso de novas tecnologias e Metodologias Ativas e os docentes acadêmicos de todos os cursos oferecidos aqui dispõem de capacitação contínua no uso e práticas de tecnologias ativas e tecnologias inovadoras.

A sala de aula de Metodologias Ativas possui carteiras móveis e adaptáveis, além de material áudio visual (Figura 01), os quais possibilitam diversos tipos de interação entre os alunos e o docente, de modo a descentralizar o docente e permitir que o aluno saia da sua posição, antes passiva, para atuar de forma mais dinâmica em muitos momentos da aula. Nesse formato de sala de aula, todas as metodologias já anteriormente citadas foram aplicadas com grande eficiência e os resultados a partir desta prática deixam claro que esta é uma inovação na educação que está dando certo.

Figura 01: Sala de Metodologias Ativas do NTEA, nas dependências do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos-UNIFIO.

Basicamente as experiências começaram a ser realizadas no início no ano de 2017, após a minha capacitação no uso de métodos e ferramentas inovadoras, mudando por completo minha postura de docente dentro da sala de aula e minha forma de pensar o ensino de Física para acadêmicos. Como tudo o que inspira mudança, o processo de transformação das aulas foi gradativo, sempre analisando os resultados de cada experiência, revendo práticas que não foram tão efetivas e tentando reaplicá-las de modo diferente para obter, então, resultados diferentes. Atualmente, todas as disciplinas que leciono estão na forma de sala de aula invertida, que propicia ao aluno um primeiro contato com novos conteúdos fora da sala de aula, dando a estes a oportunidade de obter seus saberes a seu modo, no seu tempo. Esta prática tem mostrado uma postura diferente do aluno dentro da sala de aula, pois, este passou a utilizar o contato com a disciplina em sala de aula como uma oportunidade de corroborar conceitos que ele já esteve em contato anteriormente. Os resultados a partir desta prática têm sido muito eficientes, pelo fato de que todas as minhas disciplinas atualmente contam com a construção de salas digitais apoio chamadas de OCAs, (singela homenagem às típicas habitações indígenas brasileiras), em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), as quais servem como uma extensão da sala de aula presencial. A possibilidade de ter as salas OCAs possibilita um não distanciamento do docente para com o aluno, ainda que não estejam no ambiente presencial da sala de aula. As salas OCAs podem receber todo tipo de material de apoio aos alunos: listas de exercícios, as resoluções destes, material audiovisual (videoaulas, etc.) para direcionar os alunos sobre quais conteúdos estudar, além do fato de permitir uma interação quase que em tempo real do aluno para com o docente por meio dos fóruns ou mensagens individuais, diretamente no AVA.

Tendo em mente o perfil dos cursos das engenharias e também qual deverá ser o perfil do profissional engenheiro que o UNIFIO tenciona formar, minhas disciplinas também são baseadas em Projetos Integradores. A inserção de Projetos Integradores nas disciplinas básicas de Física tem dado a oportunidade aos alunos de enfrentar situações mais práticas, situações-problemas que um engenheiro pode se deparar. Aqui, os conhecimentos adquiridos em todo seu processo de formação são levados em consideração, além do fato de que o Projeto Integrador consegue interligar disciplinas e existe a necessidade de o aluno utilizar de todas suas habilidades e conhecimentos adquiridos em outras disciplinas, no sentido de solucionar a problemática proposta pelo docente. Os projetos integradores já findados deram um direcionamento de como esta prática tem atuado na formação do aluno. De fato, o desenvolvimento de projetos é capaz de tirar o aluno da sua posição mais passiva inspirando-o a ser mais ativo, mais participativo, capaz de trabalhar em equipe (uma habilidade fundamental para o profissional engenheiro). A questão da interdisciplinaridade é um ponto de suma relevância no processo de formação do egresso e, nas engenharias, disciplinas tais como: desenho técnico, interpretação de textos, ética, matemática, física, mecânica geral, química, resistência dos materiais e outras, foram integradas nesses projetos devido à necessidade de o aluno utilizar-se dos conhecimentos adquiridos em tais disciplinas para solucionar a problemática proposta em cada Projeto Integrador.

No que se refere à configuração das aulas de Física, o uso de novas tecnologias e metodologias ativas possibilitou uma mudança no pensamento e nas atitudes do docente e dos alunos. Quanto a mim, como docente percebo a cada dia a necessidade da transformação e os benefícios que ela trará no processo de aprendizagem e de formação do aluno. O apego às formas tradicionais de lecionar necessita ser substituído urgentemente, pelo simples fato de que perdeu sua efetividade e o mundo hoje prima por pessoas inteiramente conectadas com as tecnologias inovadoras e todo o avanço que ela já vem trazendo. No que se refere aos alunos, a mudança também é notória, haja vista o fato de que estes se tornaram mais ativos dentro da sala de aula, interagindo mais entre eles próprios, instruindo-se no sentido de buscar soluções para problemas que ele (aluno) vê com interesse e, para tal, deve utilizar-se de tecnologias, metodologias e ferramentas que despertam sua curiosidade e o instigam a atuar na construção do seu próprio conhecimento.

Sobre a aplicação dos métodos “Blended Learning”, “Peer Instruction”, rotação por estações e das ferramentas de ensino “Nearpod” e o “Kahoot”, a experiência em elaborar aulas utilizando-se destas metodologias mostrou que é possível sair da tradicionalidade, descentralizar o papel do professor, tornando-o um mediador no processo de aprendizagem, tirar o aluno da sua passividade e motivá-lo a descobrir, aprender e ensinar, de forma que ele, de fato, queira passar por este processo. A Figura 02 trata-se de uma experiência vivida na sala de Metodologias Ativas com a turma de primeiro ano das engenharias (ciclo básico), em uma aula da disciplina de Física Aplicada à Engenharia. Aqui, a fotografia fala por si, mostrando o engajamento dos alunos, o uso de tecnologias como os dispositivos móveis e o prazer em participar de todo o processo. Trata-se de uma aula na sala de metodologias ativas, utilizando-se da metodologia de rotação por estações. A aula foi elaborada a partir de um plano de aula previamente elaborado, contando com seis estações e três práticas diferentes, que foram: (1) a proposta de uma situação-problema, na qual os alunos deveriam utilizar-se dos conhecimentos já adquiridos a partir do método de sala de aula invertida e o embasamento teórico por parte do docente em aulas anteriores para apresentar soluções; (2) a elaboração de um mapa mental, com a finalidade de interrelacionar conceitos e discutir, em equipe, a teoria sobre o tema proposto, que foi “Eletricidade e Circuitos Elétricos” e; (3) uma prática experimental: a construção de um circuito em um aparato experimental (um protoboard), o qual só seria viável de ser construído após os cálculos necessários para as grandezas físicas envolvidas. As rotações em cada estação ocorreram a cada 20,0 minutos. É importante salientar que o tempo disponível para a execução de cada tarefa, bem como a pressão psicológica de executá-la bem, são elementos que um profissional engenheiro seguramente irá enfrentar ao longo da sua carreira. Após os alunos transladarem-se por todas as estações, a aula foi finalizada com a aplicação da ferramenta Kahoot, contendo questões teóricas sobre o conteúdo e com a necessidade de os alunos interagirem entre seus pares, no sentido de escolher a melhor alternativa, com base em todo seu processo de aprendizagem. Aulas como esta tem mostrado que mudar é preciso, renovar-se é preciso, motivar seus alunos a querer participar, a querer instruir-se, aprender, ensinar e crescer como ser humano é preciso e é possível. Acredito que para que a mudança de fato aconteça é fundamental mudar a nós mesmos e incentivar o outro à mudança. O papel do docente, entre outros, é inspirar o outro a buscar conhecimento e evolução.

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Figura 02: Aula da disciplina de Física Aplicada à Engenharia na sala de Metodologias Ativas do Centro Universitário a das Faculdades Integradas de Ourinhos-UNIFIO. Uso do método de rotação por estações para uma aula de eletricidade, para o curso das engenharias (básico), primeiro termo de 2019.

Acredito que entramos em uma era de transformação na educação, da mesma forma que muitos setores necessitam repaginar-se, aceitar a presença das tecnologias mais avançadas, em prol do desenvolvimento e das mudanças que já estão acontecendo, além das que estão por vir. A educação também necessita viver esta mudança, adequar-se e extrair o melhor no sentido de formar profissionais mais capacitados e inspirados a inovar, transformar e melhorar o ambiente onde vive, para si e para todos à sua volta.

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Profa. Dra. Maria Elenice dos Santos

Professora UNIFIO responsável pelas disciplinas de Física Aplicada à Engenharia, Física Geral e Experimental II e Eletromagnetismo II.

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