EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS EM METODOLOGIAS ATIVAS É POSSÍVEL FAZER UMA TRILHA DE APRENDIZAGEM PERFEITA?

É fato que estamos expostos a um cenário mundial repleto de mudanças frequentes maximizadas pelas novidades, descobertas científicas e tecnológicas que batem à nossa porta não fazendo questionamentos simplistas ou meramente conceituais, mas colocando-nos em situações complexas, de elevado grau de incerteza e dotadas de um ineditismo que exigem para a tomada de decisões, um conjunto de atributos a ser desenvolvido no indivíduo, chamado COMPETÊNCIA.

Segundo o professor Vasco Moretto, Competência é a capacidade do sujeito de mobilizar recursos visando abordar e resolver uma situação complexa. Dentre esses recursos é possível elencar: Conteúdo Conceitual, Habilidade, Linguagem, Valores Culturais e Administração do Emocional. Todos eles imbricados com a Ética.

Nesse sentido, quando se pensa em produzir uma trilha de aprendizagem é imprescindível que esta seja pautada dos recursos acima elencados e foquem a competência que se almeja alcançar.

Simpatizo com a abordagem que a autora Maria de Fátima Guerra de Sousa, faz no livro “Nas Trilhas da Aprendizagem: diálogos com quem estuda a distância”, quando diz que escolheu a palavra “trilhas”, e não “trilhos” para desenvolver sua fala, pois enfatiza a questão da flexibilidade inerente de quem segue uma “Trilha” para realizar suas descobertas frente caminho pré-estabelecido que a palavra “Trilho” sugere.

Para convergência das informações tratadas até aqui, adotaremos o conceito proposto por Tafner, Tomelin e Müller (2012), enfatizando que as trilhas de aprendizagem são caminhos virtuais para o desenvolvimento intelectual que promovem e desenvolvem competências.

Dentre as principais características que uma Trilha de Aprendizagem proporciona ao aprendiz, destaca-se a possibilidade de desenvolvimento de sua autonomia frente aos desafios estabelecidos.

A possibilidade de potencialização da autonomia do aprendiz por uma trilha de aprendizagem pode ser descrita na analogia proposta por Jay Cross quando o autor aborda o Ciclo de Aprendizagem Profissional (CROSS, 2007), associando a aprendizagem formal, como sendo adequada ao profissional novato, ou seja, como se este indivíduo necessitasse inicialmente ser “conduzido por intermédio de um ônibus” em suas situações de aprendizagem (Trilhas mais Rígidas). Já a aprendizagem informal, seria mais adequada a profissionais maduros tendo como analogia o ato de “dirigir um carro” (Trilhas mais Flexíveis). Por fim para profissionais sêniores, caberia como analogia o ato de “dirigir uma bicicleta” (Trilhas Inexistentes ou para profissionais capazes de criar suas próprias trilhas e até auxiliar os pares).  

Para exemplificar um modelo de trilhas de aprendizagem, cito o trabalho desenvolvido no Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos que teve seu início em disciplinas do curso de Administração presencial e serviram como base para a aplicação no modelo do curso de Administração na modalidade EaD, avaliado para autorização pela comissão do MEC, obtendo parecer favorável.

Figura 01: Modelo de Mapa de Aprendizagem. Fonte: O Autor

Na imagem é possível observar que o planejamento foi feito para a Disciplina de Administração de Sistemas de Informação, ministrada no primeiro semestre de 2018 para o curso de Administração presencial tendo como base a aplicação num formato híbrido e apoiado em Metodologias Ativas de Aprendizagem.

Foram selecionadas Unidades de Aprendizagem (Objetos de Aprendizagem) que representam parte do conteúdo programático e foram distribuídas estrategicamente ao longo do semestre durante as dezesseis semanas utilizadas para a aplicação de conteúdos e de desenvolvimento de atividades baseadas em metodologias ativas.

Para essa disciplina foi criada uma trilha central, denominada Projeto Integrador, pela qual passam as Unidades de Apoio, objetos que contém conteúdo complementar à disciplina e as Unidades Específicas, caracterizadas pelos conteúdos específicos da disciplina. Cada Unidade de aprendizagem acomoda um conteúdo que ajuda o professor a desenvolver sua disciplina utilizando a metodologia ativa de Sala de Aula Invertida. Tal procedimento possibilita que o professor possa utilizar seus encontros, representados pela Trilha Central de Projeto Integrador, para aplicar outras metodologias ativas como o Peer Instruction, Problematização, Aprendizagem Baseada em Projetos e outras.

Vale ressaltar que a aplicação deste modelo de trilha de aprendizagem deve acontecer de modo orquestrado com o processo de avaliação instituída. Para tal, nota-se um critério inovador inserido no formato de avaliação, que é a divisão dos momentos de avaliação em:

  • Avaliação Formativa, que avalia o desempenho do aluno pelo seu percurso e valida suas realizações com possibilidade de receber orientações do professor ou tutor enquanto caminha em suas atividades. A Avaliação Formativa representa 40% da nota final;
  • Avaliação Somativa: Avaliação realizada ao final do percurso com a finalidade de verificação da apropriação de informações durante todo o curso, traduzida numa avaliação formal presencial e/ou um trabalho acadêmico que sintetiza as experiências do aluno durante o semestre. A avaliação Somativa representa 60% da nota final.

Nota: A Avaliação Diagnóstica é feita sempre no início do semestre ou quando necessário em momentos de abertura de novas temáticas, possibilitando uma avaliação prévia dos diferentes saberes dos alunos para planejamento do professor.

Pela experiência aplicada nessa disciplina foi possível observar que o planejamento das atividades deu um direcionamento do que seria trabalhado durante o semestre com os alunos e isso refletiu diretamente na forma como os mesmos se organizaram para enfrentar os desafios previamente propostos. Foi possível notar um movimento que por vezes exigia estudos individuais e em outros momentos exigia a colaboração entre os alunos para resolver as problemáticas. Esse foi um grande diferencial proporcionado pelo uso de trilhas de aprendizagem, pois como todo o conteúdo foi liberado no início do semestre, ficou claro logo no começo a identificação de alunos que preferiram ir de “ônibus”, “carro” ou de “bicicleta” rumo ao destino “saber”.

Por fim, deixo claro: “Não Existe Trilha Perfeita”, o que existe é um constante planejar, experimentar, avaliar e aperfeiçoar. Esse é um movimento que traduz o trabalho do profissional da educação que busca constantemente melhorar aquilo que faz, baseado numa “insatisfação positiva” que age como mola propulsora, onde ganha o aluno, ganha o professor, ganha a comunidade, ganha o país.

Gilson

Prof. Dr. Gilson Aparecido Castadelli

Coordenador da EAD UNIFIO e do NTEA-UNIFIO – Núcleo Tecnológico de Educação Aberta do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos Professor UNIFIO.

Autor: Gilson Aparecido Castadelli

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