MATEMÁTICA E METODOLOGIAS ATIVAS: UNIFIO INOVANDO EM EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM

Relato de experiências no uso de Metodologias Ativas no ensino presencial:

Eu, Gabriela Pereira Sander Papassoni, iniciei minhas atividades nas Faculdades Integradas de Ourinhos – FIO em 2015, compondo o corpo docente dos cursos da Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e a equipe do Núcleo Tecnológico de Educação Aberta – NTEA, como professora conteudista de Matemática. Imergi então em um ambiente novo para mim, no qual a aula tradicional começa a perder espaço para as novas metodologias de ensino, que muito influenciam os ensinos norte-americanos. O ensino híbrido busca integrar, de maneira adequada e ponderada, momentos a distância e momentos presenciais.

Nesse intuito, e com o incentivo da IES, o NTEA começou a promover cursos semestrais de capacitação docente em Tecnologias Educacionais e Metodologias Ativas, dos quais participei dos dois primeiros. A partir destes, as vídeo-aulas produzidas por nós deixaram de ser utilizadas somente como material de apoio aos alunos e passaram a compor um ambiente mais dinâmico para as minhas aulas. Comecei a aplicar as metodologias estudadas, como o flipped classroom (ou sala de aula invertida), peer instruction (instrução por pares) e rotação por estações, mesclando momentos síncronos e assíncronos no desenvolver do conhecimento matemático.

Na metodologia da Sala de Aula Invertida, grande parte dos conteúdos é adquirido fora do momento presencial, porém todos estes conhecimentos são entrelaçados nos encontros presenciais, com discussão entre os alunos e a mediação do professor. Na metodologia de Instrução por Pares, os conhecimentos empíricos dos alunos influenciam também na discussão do conteúdo no momento presencial. Neste, uma situação-problema instiga a discussão entre os alunos presentes, antes e depois da abordagem dos conceitos afins para a aula e, ao final, é apresentada a solução para o problema embasada na teoria vista. Já a Rotação por Estações, método ideal na abordagem de conceitos em diferentes aplicações, permite aos alunos a interação com os conteúdos em diversos aspectos no momento da sala de aula.

Essas, como as demais metodologias ativas, permitem aos alunos desenvolver seus conhecimentos respeitando o seu tempo de aprendizagem, pois apoiam-se em uma dedicação extraclasse, além do tempo destinado aos encontros presenciais.

Para auxiliar estas metodologias, ferramentas digitais, como o Nearpod e o Kahoot, são interessantes, pois auxiliam na abordagem dos conceitos e na visualização de suas aplicações, e tornam as aulas mais dinâmicas. Como exemplo destas práticas, relato duas experiências deste primeiro semestre de 2019, em que tive o prazer de lecionar a disciplina de Matemática Aplicada à Engenharia e realizar atendimentos personalizados a um aluno com paralisia cerebral do curso de Administração de Empresas, no Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – UNIFIO.

Inicio pela experiência na disciplina das Engenharias. Sendo esta uma disciplina organizada em três frentes de conteúdo (equações e funções; matrizes e sistemas lineares; cálculo de área e volume) e uma frente adicional para desenvolver atividades relacionadas aos conteúdos estudados durante a semana, optei por utilizar flipped classroom e Rotação por Estações nesta frente adicional.

Fazendo uso do Laboratório de Metodologias Ativas do UNIFIO, os alunos se organizaram em seis grupos (cada dois, considerados uma estação). Embasados nos conhecimentos adquiridos fora daquele momento presencial, os alunos de cada estação desenvolviam atividades relacionadas ao conteúdo de uma das três frentes de Matemática, com o auxílio do Nearpod. De 25 em 25 minutos, realizava-se a rotação destas estações e, ao final de 75 minutos de aula, todos os alunos presentes haviam desenvolvido e tirado suas dúvidas sobre os assuntos estudados na semana corrente.

Imagem da aplicação da Rotação por Estações com o auxílio do Nearpod
Figura 01: Imagem da aplicação da Rotação por Estações com o auxílio do Nearpod, ocorrida na última aula da Frente 4 de Matemática aplicada à Engenharia, em 23 de maio de 2019.

Como incentivo a estes estudos, cada encontro presencial foi encerrado com um game no Kahoot envolvendo os conteúdos abordados nas atividades desenvolvidas.

Figura 02: Imagem do game com o auxílio do Kahoot, ocorrida na última aula da Frente 4 de Matemática aplicada à Engenharia, em 23 de maio de 2019.

A partir deste movimento, percebi uma maior interação entre os alunos e maior autonomia na busca de novos conhecimentos, ou seja, um maior interesse em seu desenvolvimento como pessoa e como futuros profissionais da área.

Neste sentido, sigo com o relato sobre os atendimentos realizados ao aluno de Administração de Empresas, que possui um leve grau de paralisia cerebral, fato que trouxe grandes consequências em seu dia a dia. Em sua última Avaliação Interdisciplinar, realizada aos 12 anos no Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar, apresentou desempenho intelectual abaixo da média esperada para sua idade, com melhor desempenho em atividades que envolvem as funções de linguagem, expressas em seu bom vocabulário e raciocínio verbais. Para seu melhor desenvolvimento, possui acompanhamento de diversos profissionais da saúde, como neurologista, ortopedista e psicólogo.

Sob orientação de sua psicóloga, que o orienta inclusive nas escolhas das disciplinas cursadas a cada semestre de sua formação superior, matriculou-se nesse semestre na disciplina de Estatística Aplicada à Administração. Devido à sua deficiência, que trouxe grandes dificuldades de abstração para a resolução de problemas matemáticos e cálculos numéricos, e à sua insegurança ao lidar com uma calculadora, embora sua facilidade de manusear equipamentos eletrônicos, fui convidada a elaborar encontros semanais com o intuito de abordar os conhecimentos estatísticos exigidos pela disciplina corrente, trabalho este que deveria ser desenvolvido paralelamente ao realizado pela professora responsável pela disciplina em sala de aula.

A partir deste relato e apoiada pela tutoria da Daiane Cristina Vieira, tutora administrativa vinculada ao NTEA – UNIFIO, e com o auxílio das Unidades de Aprendizagem disponibilizadas pelo Centro Universitário, adquiridas pela SAGAH (empresa parceira no ensino presencial e a distância no UNIFIO), utilizamos a metodologia flipped classroom.

A cada semana, o aluno percorria os itens da Unidade selecionada, elaborava um mapa mental sobre o conteúdo e desenvolvia as atividades auxiliado pela tutora. Embasada neste percurso, a aula era elaborada, buscando maior aproximação entre o aluno e a ferramenta eletrônica e, também, o desenvolvimento de seu raciocínio lógico-matemático.

Figura 03: Organização de dados qualitativos e sua representação gráfica, ocorrida no primeiro encontro, em 14 de março de 2019.
Cálculo das medidas de dispersão
Figura 04: Cálculo das medidas de dispersão, ocorrida no nono encontro, em 15 de maio de 2019.

No período de três meses de trabalho e convivência com o aluno, pude perceber, por meio de avaliações contínuas a partir de observações e acompanhamento no desenvolvimento das atividades propostas, uma melhora significativa no desenvolvimento de seu raciocínio lógico-matemático, segurança ao lidar com os conceitos, cálculos e interpretações estatísticos e destreza no manuseio e programação da calculadora científica disponibilizada a ele. Raciocínios simples como “tenho dois parafusos e estou adquirindo outros dois” passaram de uma dúvida na operação a ser utilizada, para um cálculo de adição realizada na calculadora. Ao final do período, o aluno desenvolveu este cálculo mentalmente, de maneira natural, durante a resolução de uma situação-problema a ele apresentada. Em suas avaliações, elaboradas de acordo com as suas capacidades, apresentou independência na interpretação e no desenvolvimento dos cálculos necessários, obtendo um ótimo desempenho geral.

Ao meu ver, as metodologias empregadas neste semestre letivo foram de grande importância no processo de ensino-aprendizagem dos alunos do primeiro termo das Engenharias e do aluno de Administração de Empresas, mesmo estes sendo cursos presenciais. Também, considerando a velocidade do desenvolvimento das tecnologias e a inserção destas no mercado de trabalho, acredito que esta mudança na dinâmica das aulas auxilia na formação de um profissional mais independente e confiante, com a curiosidade instigada na busca constante de novos conhecimentos. Creio que nós, do Centro universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – UNIFIO, estamos na direção correta.

gabriela

Profa. Ma. Gabriela Pereira Sander Papassoni

Licenciada e Bacharel em Matemática, professora conteudista dos conteúdos de Matemática no Núcleo Tecnológico de Educação Aberta – NTEA, do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – UNIFIO.

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